quinta-feira, 21 de abril de 2011

Anatomia junturas

Articulações / Junturas
Conceito:
- Os ossos unem-se uns aos outros para constituir o esqueleto.
- Esta união não tem a finalidade exclusiva de colocar os ossos em contato, mas também a de permitir mobilidade.
- Para designar a conexão existente entra quaisquer partes rígidas do esqueleto, quer sejam ossos, quer cartilagens, empregamos os termos juntura ou articulação.

Classificação das Junturas:
- As junturas possuem certos aspectos estruturais e funcionais em comum que permitem classificá-las em três grandes grupos: Fibrosas, cartilaginosas e sinoviais.
v  Junturas Fibrosas:
- As junturas nas quais o elemento que se interpõe às peças que se articulam é o tecido conjuntivo fibroso são ditas fibrosas, e a maioria delas se apresentam no crânio.
- É evidente que a mobilidade nestas junturas é extremamente reduzida, embora o tecido conjuntivo interposto confira certa elasticidade ao crânio.
 - Há dois tipos de Junturas Fibrosas:
ü  Suturas:
- São encontradas entre os ossos do crânio.
- A maneira pela qual as bordas dos ossos articulados entram em contato é variável.
- As suturas podem ser:
·         Suturas planas (união linear retilínea).
·         Suturas escamosas (união em bisel).
·         Suturas serreadas (união em linha denteada).
                            - No crânio, a juntura entre os ossos nasais é uma sutura plana, entre   os parietais é uma sutura denteada, entre o parietal e o temporal, escamosa.
- No crânio do feto e recém-nascido, onde a ossificação ainda é incompleta, a quantidade de tecido conjuntivo fibroso interposto é muito maior.
- É isto que permite, no momento do parto, uma redução bastante apreciável do volume da cabeça fetal.
- Num crânio de feto em alguns pontos a separação entre os ossos é maior pela presença de maior quantidade de tecido conjuntivo fibroso.
- Estes são pontos fracos na estrutura do crânio, denominados fontanelas.
- Desaparecem quando se completa a ossificação dos ossos do crânio.
- Na idade avançada pode ocorrer ossificação do tecido interposto, fazendo com que as suturas, pouco a pouco, desapareçam e, com elas, a elasticidade do crânio.
ü  Sindesmoses:
- Nestas junturas o tecido interposto é também o conjuntivo fibroso, mas não ocorrem entre os ossos do crânio.
- Existem Sindesmoses do tipo:
·         Tíbio-fibular (a que se faz entre as extremidades distais da tíbia e fíbula).
v  Junturas Cartilaginosas:
- O tecido que se interpõe é cartilaginoso.
- Quando se trata de cartilagem hialina, temos as sincondroses.
- Nas sínfises a cartilagem é fibrosa.
- Em ambas a mobilidade é reduzida.
- As sincondroses são raras e o exemplo mais típico é a sincondrose esfeno-occipital que pode ser visualizada na base do crânio.
- Nas sínfises encontramos na união, entre as porções púbicas dos ossos do quadril, constituindo a sínfise púbica.

v  Junturas Sinoviais:
- A mobilidade exige livre deslizamento de uma superfície óssea contra outra e isto é impossível quando entre elas interpõe-se um meio de ligação, seja conjuntivo fibroso ou cartilaginoso.
- Em muitas junturas, o elemento que se interpõe às peças que se articulam é um liquido denominado liquido sinovial.
- Nas junturas sinoviais o principal meio de união é representado pela cápsula articular, que envolve a articulação prendendo-se nos ossos que se articulam.
- O corte frontal de uma juntura sinovial mostra a presença de uma cavidade articular.
- A cavidade articular é um espaço virtual onde se encontra o liquido sinovial.
- Este é o lubrificante natural da juntura, que permite o deslizamento com um mínimo de atrito e desgaste.
- Cápsula articular, cavidade articular e liquido sinovial são características da juntura sinovial.

Superfícies articulares e seu revestimento:
- Superfícies articulares são aquelas que entram em contato numa determinada juntura.
- Estas superfícies são revestidas em toda a sua extensão por cartilagem hialina que representa a porção do osso que não foi invadida pela ossificação.
- São superfícies de movimento e, portanto, suas funções estão condicionadas a ele.
- A cartilagem articular é avascular e não possui também inervação.
- Sua nutrição, portanto, principalmente nas áreas mais centrais, é precária, o que torna e regeneração em caso de lesões mais difícil e lenta.

Cápsula Articular:
- Uma membrana conjuntiva que envolve a juntura sinovial.
- Apresenta-se com duas camadas:
·         A membrana fibrosa (externa).
·         A membrana sinovial (interna).
- A primeira é mais resistente e pode estar reforçada por feixes também fibrosos, que constituem os ligamentos capsulares, destinados a aumentar sua resistência.
- Em muitas junturas sinoviais, tem ligamentos independentes da cápsula articular denominados extra-capsulares e em algumas, como na do joelho aparecem também ligamentos intra-articulares.
- Ligamentos e cápsula articular têm por finalidade manter a união entre os ossos, impedem o movimento em planos indesejáveis e limitam a amplitude dos movimentos considerados normais.
- A membrana sinovial é a mais interna das camadas da cápsula articular.
- É abundantemente vascularizada e inervada, sendo encarregada da produção do liquido sinovial.
- O liquido sinovial é uma verdadeira secreção do sangue, mas é certo que contém ácido hialurônico que lhe confere a viscosidade necessária à sua função lubrificadora.

Discos e Meniscos:
- Em várias junturas sinoviais, interpostas às superfícies articulares, encontram-se formações fibro-cartilagíneas, os discos e meniscos intra-articulares.
- Função:
·         À melhor adaptação das superfícies que se articulam
·         Ou seriam estruturas destinadas a receber violentas pressões, agindo como amortecedores.
- Meniscos são encontrados na articulação do joelho.
- Exemplo de disco intra-articular encontramos nas articulações esternoclavicular e têmporomandibular.

Principais movimentos realizados pelos segmentos do Corpo:
- O movimento em uma articulação faz-se, obrigatoriamente, em torno de um eixo, denominado eixo de movimento.
- A direção destes eixos é ântero-posterior, látero-lateral e longitudinal.
- A direção do eixo de movimento é sempre perpendicular ao plano na qual se realiza o movimento.
- Os movimentos executados pelos segmentos do corpo recebem nomes específicos.
·         Movimentos angulares: nestes movimentos há uma diminuição ou aumento do ângulo existente entre o segmento que se desloca e aquele que permanece fixo.
-Quando ocorre à diminuição do ângulo diz-se que há flexão, quando ocorre o aumento, realizou-se a extensão.
- Os movimentos angulares de flexão e extensão ocorrem em plano sagital, o eixo desses movimentos é látero-lateral.
·         Adução e abdução: são movimentos nos quais o segmento é deslocado, em direção ao plano mediano.
- Os movimentos da adução e abdução desenvolvem-se em plano frontal e seu eixo de movimento é ântero-posterior.
·         Rotação: é o movimento em que o segmento gira em torno de um eixo longitudinal.
·         Circundução: em alguns segmentos do corpo, especialmente nos membros, o movimento combinatório que inclui a adução, extensão, abdução e flexão resultam na circundução.

Classificação funcional das junturas sinoviais:
- O movimento nas articulações depende essencialmente da forma das superfícies que entram em contato e dos meios de união que podem limitá-lo.
- Na dependência destes fatores as articulações podem realizar movimentos em torno de um, dois ou três eixos.
- Quando uma articulação realiza movimentos apenas em torno de um eixo, diz-se que é mono-axial.
- Será bi-axial a que os realiza em torno de dois eixos e tri-axial se eles forem realizados em torno de três eixos.

Classificação morfológica das junturas sinoviais:
- A classificação morfológica das junturas sinoviais é a forma das superfícies articulares.
- A variedade e mesmo a amplitude dos movimentos realizáveis em uma articulação dependem do tipo de encaixe ósseo.
§  Plana: As superfícies articulares são planas, permitindo deslisamento de uma superfície sobre a outra em qualquer direção.
- A articulação sacro-ilíaca é um exemplo.
- Deslisamento existe em todas as junturas sinoviais, mas nas articulações planas ele é discreto, fazendo com que a amplitude do movimento seja bastante reduzida.
§  Gínglimo: este tipo de articulação é também denominado dobradiça.
- Realizam movimentos de flexão e extensão.
- A articulação do cotovelo é um bom exemplo.
- Realizando apenas flexão e extensão, as junturas sinoviais do tipo gínglimo são mono-axiais.
§  Trocóide: neste tipo as superfícies articulares são segmentos de cilindro.
- Estas junturas permitem rotação e seu eixo de movimento, único é vertical: são mono-axiais.
- Um exemplo rádio-ulnar proximal responsável pelos movimentos de pronação e supinação do antebraço.
§  Condilar: as superfícies articulares são de forma elíptica e elipsóide.
- Estas junturas permitem flexão, extensão, abdução e adução, mas não a rotação.
- Possuem dois eixos de movimentos, sendo bi-axiais.
- A articulação rádio-cárpica e a articulação temporomandibular são exemplos.
§  Em sela: apresentando concavidade num sentido e convexidade em outro, e se encaixa numa segunda peça onde convexidade e concavidade, apresentam-se no sentido inverso da primeira.
- A articulação carpo-metacárpico do polegar é um exemplo típico.
- É interessante notar que esta articulação permita flexão, extensão, abdução, adução e rotação, mas é classificada como bi-axial.
- O fato é justificado porque a rotação isolada não pode ser realizada pelo polegar.
§  Esferóide: apresentam superfícies articulares que são segmentos de esferas e se encaixam em receptáculos ocos.
- Este tipo de juntura permite movimentos em torno de três eixos, sendo, portanto, tri-axial.
- Assim, a articulação do ombro e a do quadril permite movimentos de flexão, extensão, adução, abdução, rotação e circundução.

Junturas sinoviais simples e composta:
- Quando apenas dois ossos entram em contato numa juntura sinovial diz-se que ela é simples quando três ou mais ossos participam da juntura ela é denominada composta.
Dr. Arthur












Nenhum comentário:

Postar um comentário